Quanto guardar por mês para chegar a uma meta
Uma viagem, a reserva de emergência, a entrada de um imóvel: veja como transformar um objetivo em um valor mensal — e como os juros ajudam.

Toda meta financeira cabe em três números: quanto você quer juntar, em quanto tempo e quanto o dinheiro vai render no caminho. Com eles, dá para descobrir o valor que precisa sair do seu bolso todo mês.
Primeiro, sem juros
A conta mais simples é dividir a meta pelo número de meses. Para juntar R$ 30.000 em 3 anos (36 meses), seriam cerca de R$ 833 por mês. É um bom ponto de partida, mas ignora um aliado importante: o rendimento.
Agora, com juros compostos
Se o dinheiro guardado render, cada depósito trabalha por você até a data da meta. Os depósitos do começo rendem por mais tempo; os do fim, por menos. Com uma taxa de 10% ao ano (cerca de 0,8% ao mês), a mesma meta de R$ 30.000 em 36 meses pede aproximadamente R$ 723 por mês. Do total, cerca de R$ 26 mil saem do seu bolso e uns R$ 4 mil vêm dos juros.
O tempo pesa mais do que parece
Alongar o prazo muda bastante a conta. Com a mesma taxa, juntar R$ 30.000 em 5 anos pede perto de R$ 392 por mês — e a parte que vem dos juros sobe para cerca de R$ 6.500. Começar antes costuma ser mais eficiente do que tentar compensar depois com depósitos maiores.
Já ter algum dinheiro guardado também ajuda: com R$ 5.000 iniciais, a meta de 3 anos cai para cerca de R$ 562 por mês.
Faça a sua simulação
Use a calculadora abaixo: informe o valor que você já tem, um aporte mensal de teste, a taxa e o prazo. Ajuste o aporte até o valor final chegar à sua meta.
Calculadora de juros compostos
Valor final
R$ 125.302,74
- Total investido
- R$ 61.000,00
- R$ 1.000,00 no início + 120 aportes de R$ 500,00
- Total em juros
- R$ 64.302,74
- 51,32% do valor final
Taxa mensal equivalente: 1,08%
Quem abrir o link vê esta mesma simulação. Nada fica salvo.
Ver tabela ano a ano
| Ano | Total investido | Total em juros | Valor final |
|---|---|---|---|
| 1 | 7.000 | 507 | 7.507 |
| 2 | 13.000 | 1.908 | 14.908 |
| 3 | 19.000 | 4.328 | 23.328 |
| 4 | 25.000 | 7.904 | 32.904 |
| 5 | 31.000 | 12.798 | 43.798 |
| 6 | 37.000 | 19.190 | 56.190 |
| 7 | 43.000 | 27.285 | 70.285 |
| 8 | 49.000 | 37.319 | 86.319 |
| 9 | 55.000 | 49.557 | 104.557 |
| 10 | 61.000 | 64.303 | 125.303 |
Aportes no fim de cada mês (o primeiro entra no fim do 1º mês). Taxa anual convertida pela taxa mensal equivalente. Não considera impostos, taxas nem inflação: para comparar investimentos com IR, use a calculadora de renda fixa.
A fórmula, para quem gosta
Com depósitos no fim de cada mês, o aporte necessário é:
A = (M − P·(1+i)ⁿ) · i / [(1+i)ⁿ − 1]
Onde M é a meta, P o valor que você já tem, i a taxa mensal e n o número de meses. Uma taxa anual vira mensal pela taxa equivalente: i = (1 + taxa anual)^(1/12) − 1.
Três ajustes para a conta ficar realista
- Inflação: se a meta é "o preço de hoje" de uma viagem ou de um carro, use uma taxa real, ou seja, o rendimento acima da inflação. Outra opção é corrigir a meta pela inflação esperada.
- Impostos e taxas: imposto de renda e taxas de administração reduzem o rendimento líquido. Simule com uma taxa um pouco menor para ter folga.
- Prazo e liquidez: para metas curtas ou para a reserva de emergência, prefira aplicações de baixo risco e com resgate fácil, mesmo que rendam menos.
Transforme a meta em hábito
Depois de definir o valor, automatize: programe uma transferência para o dia em que o salário cai. Reveja a meta a cada poucos meses — se a renda subir, aumente o aporte; se apertar, alongue o prazo em vez de desistir.
Os exemplos são ilustrativos e não constituem recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.